sábado, 1 de abril de 2017

Sozinha


Vagueias como sombra fugidia,
O seu Brilho é fosco mesmo em plena luz do dia,
Já que o sol não mais brilha em sua vida,
Pois nem bem chegou mas já acena com despedida.

O ar de tristeza é sua marca sombria,
O seu raro sorriso é de franca ironia,
Nunca vê a manhã radiante chegar
E nem tão pouco à felicidade pelo menos passar.

Vive em meio ao silêncio que até à tortura,
Chega às vezes ao limite da loucura,
Pois encontra-se desamparadamente sozinha.

Nunca compreendeu o sentido da sua clausura,
Sempre procurou e ainda procura,
Entender a estrada por onde caminha.

Denio Reis

quinta-feira, 30 de março de 2017

Lembro-me com saudade


Lembro-me com saudade,
Ainda na condição de adolescente,
Que viver era experimentar intensamente,
As emoções que o futebol nos oferecia,
No alvorecer de cada dia.
Eu e Márcio,meu irmão,
Adeptos que éramos do futebol,
Fosse com chuva ou com sol,
Não resistíamos os apelos do coração
E fazíamos dessa paixão, 
Uma saudável  diversão.
Isso se deu tanto em Ourânia,
Quanto em Natividade,
Pois vivíamos nessa realidade,
Sem nenhuma frustração.
Em Ourânia, rua de baixo e rua de cima,
Era à tônica das disputas acirradas,
Mas sem que a lealdade fosse negligenciada,
Embora a rivalidade fosse notória.
Em Natividade,às partidas no morro do pito,
Nunca foram ganhas no grito,
Fosse quem fosse o adversário.
Márcio   meu irmão,era sempre o protagonista,
Um autêntico malabarista
Quando tinha à bola nos pés.
Eu,um mero coadjuvante,
Por ser talvez inconstante,
Quando convidado a participar.
No time do NAC,
Também fizemos história,
Fato esse gravado na memória
E que vale apena recordar.
No time do Colégio Natividade, 
Diferente não foi a realidade,
Pois obcecados que éramos  pela vitória,
Não se admitia nem de longe empatar.
Tínhamos um time de espírito aguerrido,
Em todas ocasiões bem recebido,
Por entusiasmados torcedores,
Que nem o mal tempo lhes causava dissabores,
Quando torciam pelo ginásio Natividade.
Indo em busca das nossas lembranças,
Elas acabam nos alcançando,
Mas sempre nos colocando,
Em contato com a nossa realidade,
Mesmo aquela ancorada no passado,
Como Ourânia e Natividade.

Denio Reis


terça-feira, 28 de março de 2017

Pedra do pão de açúcar


Montanha rochosa,
Que na sua aristocrática elegância,
Ergue-te poderosa,
Podendo ser vista mesmo à distância.

Cercada que és por outras montanhas
E pelo esplendor que sempre te acompanha,
Interages com o verde que te cobre,
Tornando-te mais bela e nobre.

A Criação foi -lhe generosa,
Considerando que és grande e majestosa,
Impassível e guardiã atenta,
Da própria natureza que te alimenta.

O céu é o seu limite protetor,
Refletindo a luz do seu fulgor,
Ao cobrir-lhe a cúpula insinuante,
Que parece tão perto e ao mesmo tempo tão distante.

Tu és uma pedra que se tornou pão,
Pão de pedra e açúcar que ao tempo resistiu,
Quem pôde vê-la ,mas ainda não viu,
Jamais experimentou tamanha emoção.

Parece que tocas o céu,
Que desce á ti como um véu,
Com seu manto suave e leve,
Numa visão extemporânea e breve.

Ourânia é privilegiada
E por ser também amada,
Exibe esse espetáculo da natureza,
Com requinte e igual beleza.


Denio Reis




segunda-feira, 27 de março de 2017

Deslizando por sobre as pedras












O murmurejar da água serena,
A brisa suave e amena,
A correnteza deslizando por sobre pedras polidas,
Trazem pulsações de vida.

Essa sinfonia eterna,
É a mais doce e terna,
Das sublimes sinfonias,
Que até de longe se ouvia.

Cachoeira de porte elegante,
Que no seu deslizar constante,
Emoldura a natureza
E nos leva a sonhar com certeza.

Essa é a cachoeira de João Fernandes,
Localizada em Natividade,
Que faz com que dela sintamos saudades,
Quando dela nos lembramos.

Marca Indelével da sua permanência,
O moinho  desativado à sua margem,
Não estamos falando de nenhuma miragem,
Mas de algo concreto em sua longa existência.

Cachoeira de muitas histórias,
Sempre teve os seus momentos de glória,
Seja no passado ou no presente,
Porque faz parte da história de muita gente.

Sua águas jamais secarão,
Pois não correm soltas na contramão,
Já que a natureza está a seu favor,
Faça frio ou calor.

Denio Reis

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Noite Fria e Escura


Quando à noite se torna fria
E a bruma sombria,
O tédio se faz companheiro.

Quando à noite desce com o seu denso manto,
Com todas incertezas me defronto,
Sem contudo me atemorizar.

Quando à noite fria se aproxima
E a escuridão avança por cima,
Até a brisa consegue incomodar.

Quando à noite mergulha na escuridão,
O medo pode às vezes intimidar,
Contudo,não vou me acovardar.

Mas essa noite será diferente,
Ser-lhe-ei deveras indiferente,
Até que ela possa passar.

Denio Reis



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Tempo de Criança


Meu tempo de criança,
Traz-me sempre à lembrança,
Que para gente ser feliz,
Pouca coisa bastava,
Já que ninguém reclamava
Do pouco que possuía 
E mesmo em tempo de escassez,
Resolvia-se uma coisa de cada vez.
Os sonhos compensavam às carências,
Da depressão nem se sabia da existência,
Pois com uma boa conversa tudo se resolvia,
Fosse de noite ou de dia,
Pois ao tempo dava-se o devido valor.
Hoje, paciência é utopia,
Pois tornou-se mania,
Não se saber esperar.
Correr na frente do tempo,
Parece que virou até compromisso,
Mas apesar de tudo isso,
O que importa mesmo é caminhar

Denio Reis


sábado, 7 de janeiro de 2017

Rendição


Rendo-me a ousadia dos seus olhares,
Sob à visão  etérea de tantos luares,
Onde em confissão deponho,
Meus sentimentos como em sonhos.

Visão mística que à mim mesmo imponho,
Quando os meus olhos em seus olhos ponho,
Oh! doce criatura,
Sacrário de beleza pura.

Tens o aroma e a beleza do viçoso lírio,
És a minha alegria e o meu martírio,
Bem como os meus sonhos e pesadelos.

Em noites de estrelas prateadas,
Sobre relvas verdes e orvalhadas,
Ofereço-lhe em holocausto os meus desvelos.


Nota: Este poema foi classificado em 20º lugar, no concurso Nacional " Novos poetas",no ano de 2016, instituído pela Vivara Editora Nacional.


Denio Reis